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February 21, 2008

Light Painting

O Light Painting é uma das técnicas mais maleáveis, divertidas e    econômicas de fotografar em estúdio. Além disso, é um ótimo exercício de criatividade.

Qualquer fonte de luz portátil serve para iluminar o assunto: lanternas de bolso, leds, velas, palitos de fósforo.
Para fotografar em Light Painting, é necessário fazer longas exposições. Geralmente, algo em torno de 7 segundos já é o suficiente para criar um efeito interessante.

No entanto, isso depende muito da agilidade e do domínio da técnica por parte do fotógrafo.

No Light Painting, é preciso que se tenha uma idéia clara e definida do resultado final.

É imprescindível aprender a visualizar a foto pronta antes mesmo de apertar o disparador da máquina, pois a luz, só será inserida após o clique.

É importante também que a máquina, independentemente de ser digital ou de filme, disponha de algumas opções de controle e acessórios, como:

· Foco manual;
· Ajuste de abertura e velocidade; 
· Timer ou disparador remoto;
· Tripé

Não é aconselhável usar objetivas com distâncias focais inferiores a 70mm, pois as chances de acontecer alguma distorção nas imagens são maiores. Para fechar o quadro, será necessário uma grande aproximação e você acabará ficando com pouco espaço para se movimentar.

Com o equipamento conferido, agora vamos improvisar um estúdio.
Como realizaremos uma longa exposição em que a principal fonte de luz será muito fraca, é necessário que o local fique quase ou completamente escuro.

Costumo fazer esse tipo de foto a noite, quando fica bem mais fácil evitar a infiltração de luz. Mas se você tem como isolar um ambiente à luz do dia, tudo bem.

Uma mesinha de apoio ajuda bastante. Nada muito grande, apenas o suficiente para comportar o assunto escolhido.

Se você deseja que apenas o objeto seja iluminado, evite cores claras para a base e/ou para o fundo. Um tecido ou uma cartolina preta resolvem. Outra opção é afastar a mesa da parede.

No exemplo a seguir usei:
· Câmera DSLR
· Objetiva Macro 100mm
· Iso: 100
· Velocidade: 6s (segundos)
· Abertura: F11

O ISO varía de acordo com os modelos (digitais) ou filmes existentes no mercado. Como não precisaremos de velocidade e sim de definição, a melhor opção sempre será o menor ISO possível.

Para definir a velocidade de exposição, faça um teste com os movimentos que deseja inserir na foto e calcule quanto tempo precisará para concluí-los.

A abertura deve ser suficientemente pequena para permitir que, mesmo numa longa exposição, o local não precise ficar em total obscuridade (isso será muito bom para não ficar esbarrando nas coisas).

Neste tipo de caso, não há como medir precisamente a iluminação. Ou seja, só a experiência, os erros e os acertos é que farão a técnica evoluir. Essa característica intuitiva no Light Painting torna o desafio muito mais interessante, uma espécie de improviso. Um Blues ou Jazz fotográfico.

O foco é um item que merece atenção, pois, no momento do disparo,  não haverá luz suficiente e, no caso da nossa experiência, há uma agravante: o objeto é transparente.

Dica prática para lidar com o problema: 

· Posicione um adesivo de código de barras no ponto em que deseja focar,  efetue o foco normalmente e depois o trave.
· Se preferir (e se o equipamento permitir) depois de efetuar o foco no modo “auto” mude para o modo manual, o efeito será o mesmo. Ou ainda, se confia na própria visão faça tudo no modo manual.

O assunto do exemplo é um cálice e para tornar os reflexos mais interessantes, adicionei água.

O pedaço de arame tem pouco mais de vinte centímetros e não deve ser muito fino, pois isso o tornaria demasiadamente flexível, dificultando a movimentação do fogo em torno do assunto.

Atenção: tome muito cuidado no manejo do fogo.

· Evite material inflamável por perto, não use ventilador e mantenha um recipiente cheio de água ao seu alcance… Este ultimo, se não for usado num eventual início de incêndio, será um ótimo lugar para você apagar o fogo após a sessão.

Está começando a ficar emocionante não é mesmo ?

Com um alicate de bico torça as duas pontas do arame de modo que em uma das extremidades você tenha uma boa “pegada” e na outra um pequeno gancho para segurar um chumaço de algodão (fotos abaixo).

Encaixe um pequeno chumaço de algodão no gancho que você acabou de fazer e, em seguida, aperte-o para que não se solte acidentalmente. O chumaço tem que ser bem pequeno, pois,do contrário, absorveria muito álcool e causaria mais fogo do que é de fato desejável.

O assunto (cálice) é pequeno e toma quase todo o quadro, por isso não precisaremos de mais que uma pequena chama, proporcional a de um isqueiro regulado na metade, para iluminá-lo e fazer os movimentos que serão inseridos na composição.

Agora, vamos recapitular tudo para garantir o sucesso da operação:

1. Posicionar tripé com a câmera.

2. Organizar assunto, fundo e base.

3. Enquadrar e focalizar o assunto.

4. Ajustar ISO, velocidade, abertura e timer ou disparador remoto.

5.Preparar e deixar ao alcance todos os apetrechos necessários: gancho, álcool, recipiente com água, isqueiro.


6. Fechar o ambiente em que a sessão será realizada permitindo que apenas um pouco de luz indireta o ilumine.


Com tudo isso certo, agora use o conta gotas para adicionar álcool ao chumaço de algodão.

Utilizando o isqueiro, acenda o fogo no chumaço e em seguida dispare a máquina.

Faça os movimentos que treinou anteriormente, procurando manter a velocidade original.

Sobre a velocidade dos movimentos cabe uma pequena observação:

Nada de vapt-vupt, muito menos zim, zim, zummm… Deste modo o máximo que conseguirá é uma seqüência de traços luminosos muito finos e insuficientes para iluminar o assunto… ou ainda, apagar o fogo.

Por outro lado, se for muito lento o fogo tomará conta da cena inteira. Mantenha uma velocidade constante e procure evitar os extremos citados.

As possibilidades de criação são inesgotáveis e muito pessoais. Dá para fazer desenhos simples em volta do assunto, escrever com a luz, criar padrões abstratos e muito mais.

Com a prática, você vai acabar desenvolvendo o próprio estilo.

Na próxima imagem, um exemplo de velocidade de movimento acima do ideal.

O cálice e o gancho só ficaram nítidos porque, para efeito de ilustração, foi usado um flash (acionado na Segunda cortina), mas, em condições normais, apenas a linha luminosa ficaria visível.

É isso aí, agora é só seguir as dicas e dar asas a imaginação.Boa pintura!

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